ARTIGO

Caciques massacrados nas urnas

Zózimo Tavares   09/10/2018

A lista é encabeçada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela liderou todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado, mas acabou em quarto lugar no resultado oficial do TSE.

 

Velhos caciques da política e outras personalidades de expressão pública foram derrotados domingo em todo o país. Em sua maioria, são parlamentares veteranos, detentores de forte liderança em suas legendas e fora delas. Os mais conhecidos são do Senado.

A lista é encabeçada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela liderou todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado, mas acabou em quarto lugar no resultado oficial do TSE.

A seguir, vem o presidente do Congresso Nacional senador Eunício Oliveira (MDB-CE), que não conseguiu renovar o seu mandato.

Outros derrotados

Outro senador de grande influência derrotado no domingo foi Romero Jucá, também do MDB. Ele naufragou nas urnas depois de seis mandatos consecutivos e de ser líder dos governos FHC, Lula, Dilma e Temer.

Também fracassou nas urnas outro senador do MDB com tradição no Congresso Nacional, Roberto Requião (PR).

Engrossando a lista dos sem-mandato, a partir de 2019, está ainda o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ex-ministro da Educação e ex-governador de Brasília.

Disputa presidencial

O senador Álvaro Dias (Podemos) perdeu a eleição para presidente da República.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) concorreu ao cargo de vice-presidente na chapa do tucano Geraldo Alckmin e foi derrotada.

Outro senador de grande projeção nacional que também não se entendeu com as urnas foi o evangélico Magno Malta (PR-ES). Ele se recusou a ser candidato a vice-presidente na chapa do deputado Jair Bolsonaro e acabou perdendo o mandato.

De craque a perna de pau

O senador Romário, que entrou no campo da política como um craque, acabou como perna de pau, derrotado na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro.

A eleição do Rio de Janeiro foi a que causou maior desfalque: foram derrotados os senadores Lindbergh Faria (PT) e Eduardo Lopes (PRB), além dos deputados federais Miro Teixeira (Rede) e Chico Alencar (PSOL).

Miro é o deputado com maior número de mandatos na atualidade. Ao todo são onze mandatos, com apenas uma interrupção, entre 1983 e 1987. Chico Alencar está no quarto mandato na Câmara dos Deputados.

No Nordeste

Os senadores Garibaldi Alves (MDB) e Agripino Maia (DEM), dois dos principais caciques do Rio Grande do Norte, também saíram das urnas derrotados.

Garibaldi tentava a reeleição e ficou em quarto lugar na disputa para senador. Agripino, com mandato ininterrupto desde 1995, desistiu de concorrer à reeleição e tentava se eleger deputado federal. Não conseguiu.

Ainda no Rio Grande do Norte, o atual governador Robinson Faria (PSD) ficou em terceiro lugar na disputa estadual e não irá para o segundo turno.

Em Pernambuco, o deputado federal Mendonça Filho (DEM), ex-ministro da Educação, também perdeu.

Um dos principais defensores de Dilma na Câmara dos Deputados, Silvio Costa (Avante-PE), tentou sem sucesso uma vaga no Senado.

O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), também foi derrotado.

Os eleitores do Maranhão tiraram do cenário nacional o senador Edison Lobão (MDB), ex-ministro das Minas e Energia, e o deputado federal Sarney Filho (PV), ex-ministro do Meio Ambiente. Ambos concorriam ao Senado.

Suplicy derrapa

Em São Paulo, o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), ex-senador e aposta do partido para reforçar a bancada, também foi derrotado. As pesquisas o apontavam como o campeão de votos.

Os ex-governadores Beto Richa (PSDB-PR), Raimundo Colombo (PSD-SC), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Jackson Barreto (MDB-SE) também não tiveram sucesso nas urnas.

Mais derrotados

Os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Valdir Raupp (MDB-RO), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Vicentinho Alves (PR-TO), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Lúcia Vânia (PSB-GO), Wilder Morais (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Waldemir Moka (MDB-MS), Benedito de Lira (PP-AL), Angela Portela (PDT-RR) e Paulo Bauer (PSDB-SC) também não foram reeleitos.

Dos 18 senadores que se candidataram a governador, apenas dois conseguiram se eleger no primeiro turno: Ronaldo Caiado (DEM), em Goiás, e Gladson Cameli (PP), no Acre.

Três vão disputar a eleição estadual no segundo turno: João Capiberibe (PSB), no Amapá; Antônio Anastasia (PSDB), em Minas Gerais, e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte.

(Com informações da Agência Brasil)

 

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