JUSTIÇA

Julgamento de acusado de matar jornalista entra em sua fase final

O Dia   24/04/2018

Everardo Ralfa de Sousa é acusado de ter colidido com o carro do jornalista Júlio César Galvão a 160 quilômetros por hora em maio de 2006.

Arquivo pessoal

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O jornalista Júlio César Macedo Galvão.

 

Aconteceu nesta segunda-feira (23), no Fórum Central Cível e Criminal de Teresina, o julgamento de Everardo Ralfa de Sousa, acusado de matar no trânsito o jornalista e servidor do Tribunal de Justiça Júlio César de Macedo Galvão, em 23 de junho de 2006. O administrador de empresas foi denunciado por homicídio qualificado e é acusado de colidir em alta velocidade com o carro do jornalista e evadir-se do local do crime sem prestar socorro à vítima. Há a suspeita de que o condutor estaria embriagado.

O caso é o primeiro envolvendo um acidente de trânsito a ir a um Tribunal do Júri no Piauí. Ao todo, oito testemunhas foram ouvidas durante o julgamento. Por volta das 17h de hoje, Everardo Ralfa de Sousa foi interrogado perante o júri e disse que a denúncia era “em partes” verdadeira. Segundo ele, o veículo da vítima teria entrado na Avenida Henry Wall de Carvalho por uma rua perpendicular, e teria mudado de faixa repentinamente, momento em que a caminhonete de Everardo, uma F-250, teria colidido com a traseira do carro da vítima. Durante o interrogatório, o réu confessou que não pediu socorro por não saber o número do Samu, mas disse ter ligado para dois amigos antes de sair do local do crime.

A tese da defesa é contestada pela acusação. Segundo o Ministério Público, o jornalista estava na avenida Henry Wall de Carvalho, fazendo o mesmo percurso de Everardo, quando foi atingido pelo acusado. Os laudos periciais apontam que o veículo do acusado estava a mais de 160 quilômetros por hora e não havia marcas de frenagem no asfalto que indicassem que o réu teria tentado parar a caminhonete antes de atingir o veículo do jornalista. Na época, o crime foi testemunhado por um moto taxista que seguiu o motorista até sua casa, localizada no bairro Jockey.

Para a família da vítima, a esperança é de que o réu seja condenado pelo crime de homicídio qualificado. “Nós estamos muito confiantes de que esse júri vai amenizar a nossa dor, acabar não vai, porque o Júlio não vai voltar. Esperamos que ele [o acusado] pague pelo que fez, porque quando você faz o uso da bebida alcoólica e pega na direção, você está assumindo o risco de matar. O mínimo que ele poderia ter feito era tentar ter ajudado, mas ele se evadiu do local”, enfatizou a cunhada de Júlio César, Eliane Rodrigues.

Em maio do ano passado, o julgamento da morte do jornalista Júlio Cesar de Macedo Galvão foi suspenso por um mandato de segurança expedido pelo desembargador Luiz Gonzaga Brandão, devido a um recurso impetrado pela defesa no Supremo Tribunal Federal (STF) que ainda não havia sido julgado.

Os debates orais entre acusação e defesa iniciaram por volta das 18h, a previsão é de que a sentença seja proferida até a meia-noite.

O crime

O crime aconteceu no dia 23 de junho de 2006, na avenida Henry Wall de Carvalho, no bairro Tabuleta, zona Sul de Teresina. O jornalista retornava do conjunto Saci, zona Sul, conduzindo o seu automóvel Gol, que foi colhido na traseira por uma caminhonete F-250.  O Gol foi arrastado por cerca de 50 metros. O motorista da caminhonete, identificado como  Everardo Ralfa de Sousa, teria se evadido do local sem prestar socorro à vítima.

Com ferimentos graves, o jornalista foi internado na Clínica Prontomed, sendo transferido depois para a UTI do Hospital São Marcos. Júlio Cesar não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 27 de junho de 2006. Indiciado em inquérito na Delegacia de Homicídios, no Morada Nova, Everardo Ralfa foi acusado por crime de homicídio doloso e o processo foi levado para a 1ª Vara Criminal.

 

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