ARTIGO

E a Barragem de Castelo, ó!

Zózimo Tavares   16/04/2018

Continuou o mesmo verão de promessa e seguiu-se um apagão. Ninguém mais falou no assunto

 

Na semana passada, com a repentina subida do nível das águas do Rio Poti, Teresina viveu mais uma vez a ameaça de uma nova enchente, como a registrada em 2009. A capital livrou-se da inundação por obra e graça de São Pedro, que fechou as torneiras do céu.

Sem a mão providencial de São Pedro, a cidade estaria – como ainda está – entregue à própria sorte, pois os homens da terra que têm a responsabilidade de protegê-la desse tipo de catástrofe não se mexem.

Em 1988, no segundo Governo Alberto Silva, foi lançado o projeto da construção da Barragem de Castelo, aproveitando as perenes águas do Rio Poti. Um de seus objetivos seria o de proteger a capital de inundações.

No Ceará não tem disso, não!

No Ceará, onde o Poti nasce, suas águas serão represadas com a construção da Barragem Fronteiras, no município de Crateús, com capacidade para 488 milhões de metros cúbicos.

As obras dessa barragem para a retenção das águas do Poti foram iniciadas no ano passado, com recursos do governo federal, através do programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sob a coordenação do Dnocs.

Já em relação à Barragem de Castelo, um projeto lançado há 30 anos e tema de todas as campanhas eleitorais de lá para cá, última notícia que encontrei sobre ele saiu em 11 de novembro de 2016.

Ela saiu no cidadeverde.com e dava conta de que o edital de licitação para a construção da barragem no rio Poti seria lançado no fim daquele mês – novembro de 2016.

A notícia, baseada em fontes oficiais, naturalmente, acrescentava que as obras se iniciariam em até fevereiro de 2017.

A barragem de Castelo, segundo se divulgou, será o segundo maior do Piauí, com capacidade de armazenar 2,6 bilhões de metros cúbicos de água, ficando atrás apenas de Boa Esperança, em Guadalupe, que tem 5 bilhões de metros cúbicos. A obra foi orçada em mais de R$ 370 milhões.

Abastecimento

Conforme ainda a mesma notícia, a barragem vai beneficiar mais de meio milhão de piauienses, nas cidades de Castelo do Piauí, Juazeiro do Piauí, São João da Serra, Alto Longá, Prata do Piauí, Beneditinos, Buriti dos Montes, São Miguel do Tapuio, Novo Santo Antônio, Demerval Lobão e Teresina.

Além de abastecer essas cidades por via adutoras, as águas da Barragem de Castelo serão utilizadas para geração de energia e implantação de projetos de piscicultura e agricultura irrigada.

Outro objetivo da barragem – e este é o ponto que enfatizo – é a contenção das enchentes em Teresina.

Só promessa

Porém, como na canção de Luiz Gonzaga, fevereiro de 2017 – quando começaria a obra, passou; março passou; abril passou também, enfim o ano todo passou, e nada de a obra começar.

Continuou o mesmo verão de promessa e seguiu-se um apagão. Ninguém mais falou no assunto da Barragem do Castelo! Também ninguém mais cobrou a obra. É como se ela já tivesse sido feita!

É nessa marcha que o Piauí anda para enfrentar seus graves problemas e buscar o seu desenvolvimento!

 

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