ARTIGO

Negligência X Emergência

Claudia Brandão   10/04/2018

O berro dado pelo açude do Bezerro chamou atenção pelo caráter emergencial do perigo do rompimento da parede.

 

O transtorno por que passam os moradores de José de Freitas, ao norte de Teresina, era previsível e poderia perfeitamente ter sido evitado. Mas parece que o governo nada aprendeu com o desastre de Algodões, em Cocal, no ano de 2009. Ofício da Prefeitura de José de Freitas, datado de março do ano passado, já pedia providências para a barragem do Bezerro. Nenhuma ação foi providenciada e, mais uma vez, a negligência levou à situação em que se encontram hoje as famílias que moram próximo ao açude.

Agora, o governo corre contra o relógio e a previsão meteorológica, que prevê ainda mais chuvas para o mês de abril. Trabalhar sob pressão e debaixo de chuva forte torna tudo mais difícil. O correto é fazer a manutenção adequada fora do estado de crise. A isso chama-se planejamento, uma ação praticamente inexistente por essas bandas.

Os bombeiros, sempre comedidos em suas declarações, chegaram a dizer ontem que o risco é gravíssimo. As primeiras medidas tomadas para aumentar a vazão no sangradouro estão conseguindo diminuir o volume de água no açude, mas, como efeito colateral, essa água que está saindo do Bezerro deve chegar a outros municípios próximos, como Barras, que já sofre com a cheia do Rio Marataoan.

O berro dado pelo açude do Bezerro chamou atenção pelo caráter emergencial do perigo do rompimento da parede. Mas ele não é o único. Outras barragens piauienses estão igualmente precisando de manutenção. Que não se ouça novamente o clamor desesperado por uma ação feita às pressas, no improviso.

 

© 2010 Jornalista 292— Todos os direitos reservados.