ARTIGO

Deputado sem mordomia e com salário baixo

Zózimo Tavares   21/03/2018

Essas regalias e tantas outras mordomias concedidas de mão beijada aos parlamentares brasileiros já estão tão naturalizadas que ninguém mais estranha.

 

Imagine um lugar onde deputado não tem carro oficial. Tampouco tem uma vaga reservada apenas para ele na sede do parlamento.

Nesse lugar, se não estiver de carona, o deputado só tem uma maneira de chegar ao parlamento com motorista: é se ele pegar o ônibus coletivo que conduz a população para o centro da cidade.

Uma exceção para transitar em carro de representação é feita apenas ao presidente do Parlamento.

Mas ele só tem direito a essa regalia se for a um evento na condição de presidente da Câmara e não a título pessoal.

Tem mais: nesse lugar, a política é considerada como um envolvimento popular. Portanto, não existe deputado profissional. Todos os políticos são obrigados a ter emprego.

Mas, para não atrapalhar o emprego de cada um dos 100 representantes do povo, as sessões do Parlamento são realizadas no final da tarde, quando o expediente já terminou.

Também durante os anos em que estão no “poder” não podem contratar parentes e recebem um vale para fazer duas refeições por mês.

O auxílio-moradia não faz parte dos benefícios. Ao final de quatro anos de mandato, os deputados não ganham uma aposentadoria.

A remuneração

Esse lugar existe! É a Suíça, um dos países mais ricos do mundo. O país é um dos pilares de um sistema financeiro mundial que guarda em seus cofres trilhões de dólares.

Em Genebra, um deputado chega a receber por ano cerca de 30 mil francos suíços, o equivalente ao pagamento médio atribuído a um artista de circo ou a um ajudante de cozinha, postos ocupados em grande parte por imigrantes.

O pagamento a um membro do Parlamento de Genebra é bem inferior à média de um salário de um fabricante de queijo, menor que a renda de um mecânico de carros na Suíça, de uma secretária, de um policial, de um carpinteiro, de uma professora de jardim de infância, de um metalúrgico e de um motorista de caminhão.

Enquanto isso...

No Brasil, o salário de um deputado estadual chega a R$ 25.300 por mês em São Paulo, por exemplo.  Além disso, os parlamentares brasileiros têm direito a uma verba mensal (o chamado “cotão”), que pode superar R$ 30 mil, para custeio de gastos de alimentação, transporte, passagens aéreas e despesas de escritório.

Essas regalias e tantas outras mordomias concedidas de mão beijada aos parlamentares brasileiros já estão tão naturalizadas que ninguém mais estranha.

O estranho seria o Brasil querer um parlamento igual ao da Suíça. (Com informações do Estadão)

 

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