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Prefeitura de União planeja fechar quase metade das escolas da cidade

G1   07/02/2018

Prefeito alega que fechar 36 das 80 escolas do município irá trazer economia e melhorar qualidade do ensino. Pais de alunos reclamam da distância entre suas casas e outras escolas.

Reprodução/ TV Clube

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Escolas na zona rural de União podem ser fechadas.

 

A prefeitura da cidade de União, a 65 km de Teresina, pretende fechar 36 das 80 escolas municipais antes do início do ano letivo. O número representa 45% das unidades escolares de União. O prefeito Paulo Henrique Costa (PSD) alega que a mudança visa a melhoria da qualidade de ensino e economizar dinheiro público. O projeto preocupa os pais dos alunos que estudam nas escolas que podem ser fechadas.

As mudanças, de acordo com o prefeito Paulo Henrique Costa, foram planejadas após um estudo feito por uma assessoria da Prefeitura de Teresina. “Nesse estudo encontramos alunos do 9° ano não alfabetizados”, relatou o prefeito.

Segundo Paulo Henrique Costa, a cidade tem ao todo 80 unidades escolares, algumas delas com apenas dez ou vinte alunos. “Não é só a parte financeira, mas também a parte pedagógica. Temos turmas em que o professor ensina no 1°, 2°, 3°, 4° e 5° anos juntos”.

O fechamento das escolas preocupa os pais de alunos que só têm uma opção perto de onde moram. Algumas das escolas ficam na zona rural do município, o que dificulta o deslocamento dos alunos até outras unidades.

A dona de casa Eliane Machado Santos, moradora do povoado Angelim, na zona Rural de União, tem seus filhos matriculados em uma das escolas que podem ser fechadas. Ela conta que com a mudança fica ainda mais difícil levar os filhos para a escola e que não confia no transporte escolar. “Dizem que botam carro, mas nunca é uma coisa garantida. Tem dia que passa, tem dia que não passa”, disse a dona de casa.

Os professores das escolas municipais de União temem que o fechamento das escolas atrase o início do ano letivo. “Muitas coisas ainda precisam ser documentadas, inclusive a matriz curricular. E o Município não senta, não diz como o processo vai acontecer”, disse a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de União, Lucélia Saraiva. “Com essas várias questões para serem definidas, quem garante que o ano letivo vai iniciar numa data normal?”, questiona.

Lucélia comenta ainda que os servidores municipais, inclusive os professores, estão com salários atrasados e sem saber onde vão trabalhar em 2018. “Com o processo de nucleação e o aumento de carga horária não sabemos como vai ficar o quadro de professores, quem vai ser remanejado e como vai ser feito esse remanejamento”, disse Lucélia Saraiva.

O prefeito de União afirma que o atraso dos salários é consequência de uma mudança de sistema de informática.”Está havendo aqui, em Piracuruca, em alguns municípios que estão usando esse sistema, e que está havendo esse atraso agora”, explicou o prefeito Paulo Henrique.

 

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