ARTIGO

Dois Brasis, cada qual mais indignado!

Zózimo Tavares   24/01/2018

No Brasil de hoje, porém, é o fim do mundo alguém condenado em ação trabalhista ocupar um ministério, mas é uma beleza alguém condenado por corrupção chegar à presidência

 

Depois do julgamento do ex-presidente Lula, em segunda instância, marcado para hoje, em Porto Alegre, e da proposta de reforma da Previdência, em discussão no Congresso Nacional, o tema que mais aquece os debates políticos é a nomeação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB) para o Ministério do Trabalho.

Os críticos da nomeação ministerial, barrada pela Justiça, pelo fato de a deputada ter sofrido condenação na Justiça do Trabalho, são basicamente os mesmos que defendem a candidatura presidencial de um político condenado por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do ex-presidente é tão fervorosa que eles até empunham faixas e gritam nas redes sociais que “eleição sem Lula é fraude”.

É inegável que o presidente Michel Temer vem demonstrando, desde o início, um talento incomum para escolher mal os seus auxiliares. Já teve, inclusive, que despachar alguns que caíram no cerco da Lava-Jato.

Mas a Constituição lhe assegura o direito de nomear ministros. É uma prerrogativa exclusivamente sai, até o seu último dia no cargo, arcando naturalmente com as consequências políticas, administrativas e morais das escolhas.

Cada caso, porém, é um caso! Cristiane Brasil respondeu a ação trabalhista, como sucede com parcela considerável dos empregadores brasileiros. Foi condenada a pagar indenização, a pena prevista na lei para o caso.

"Abaixo a Ficha Limpa!"

Os que tentam impedir a posse da nova ministra são, curiosamente, os que defendem a candidatura de Lula a presidente. Não custa lembrar: além da condenação a 9 anos e meio de cadeia por corrupção, o petista responde a seis outros processos igualmente graves.

No Brasil de hoje, porém, é o fim do mundo alguém condenado em ação trabalhista ocupar um ministério, mas é uma beleza alguém condenado por corrupção chegar à presidência da República.

O Partido da Causa Operária (PCO), um dos aliados do ex-presidente, até já lançou uma patética e despudorada campanha a favor da candidatura de Lula, que é a seguinte: “Abaixo a Ficha Limpa!”. E ela já tem muitas e desavergonhadas adesões.

Este o país que se divide em dois, cada qual mais radicalmente indignado com a falta de ética na política!

 

© 2010 Jornalista 292— Todos os direitos reservados.