ARTIGO

Solidariedade ou baderna?

Zózimo Tavares   08/01/2018

O movimento vai além, pois tenta a todo custo intimidar, constranger e achincalhar a Justiça.

 

Durante as 24 horas do dia, os líderes e a militância da chamada Frente Brasil Popular, puxada pelo PT, o MST e a CUT, estão na imprensa e nas mídias sociais, numa campanha sem trégua, para defender o ex-presidente Lula, já condenado a nove anos de prisão em primeira instância, na Lava-Jato, e prestes a ser julgado em segunda instância.

Agora, esse mesmo movimento convoca todos a irem a Porto Alegre, no próximo dia 24, para o julgamento do ex-presidente no Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4).

As autoridades pediram reforço na segurança em Porto Alegre durante o julgamento de Lula, pois o clima é de tensão. Os defensores e simpatizantes do ex-presidente queriam transformar o julgamento em um palanque, mas, pelo visto, preferem ver o TRF-4 virado em praça de guerra.

"Vai ter luta, sim!"

Dos políticos condenados ou acusados até agora por corrupção no Brasil - todos com a ampla defesa assegurada -, Lula é o único que tem direito a todo esse furdunço. Os demais foram inapelavelmente execrados. Uns pagam pena nas cadeias e outros não podem botar a cara na rua.

O site do MST divulgou uma entrevista com Alexandre da Conceição, um de seus dirigentes, na qual ele faz uma declaração de guerra: “Não adianta que a Prefeitura de Porto Alegre não autorize o protesto, não adianta o governador colocar toda a sua força repressora nem mesmo que o Judiciário tente impedir o povo de lutar. Vai ter luta, sim, em todo o Brasil no dia 24 de janeiro.”

A mobilização da Frente Brasil Popular não para na defesa do ex-presidente. O movimento vai além, pois tenta a todo custo intimidar, constranger e achincalhar a Justiça.

Isso é solidariedade ou baderna?

 

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