ARTIGO

Nada de PT, PMDB ou PSDB. Maior partido é o da JBS. Depois, o da Odebrecht.

Fenelon Rocha   25/05/2017

Na prática, tinham governos e governantes debaixo do braço. Como poderia ser diferente?

 

Segundo os dados do TSE, as maiores bancadas da Câmara resultante das eleições de 2014 eram, pela ordem, as do PT (69 deputados), PMDB (65), PSDB (54) e PP (38). As evidências a partir das delações no âmbito da Lava Jato mostram outra coisa: os grandes partidos brasileiros eram os constituídos pelo rol de financiados pela empreiteira Odebrecht e a “rainha do bife”, a JBS.

Dos eleitos para a Câmara dos Deputados em 2014, a JBS injetou dinheiro em 165 eleitos – o que significa cerca de um terço da Casa (exatos 32,16% dos deputados). Pouco menos que a soma dos três principais partidos do governo Dilma: PT, PMDB e PP. No senado, a parcela de representantes da JBS fica até um pouco mais alta: 34,5% dos senadores – isto é, 28 dos 81 senadores, parte eleita em 2014, parte em 2010.

As delações dos executivos da Odebrecht apontaram uma representação no Senado semelhante à bancada do bife. Mas a bancada da empreiteira na Câmara fica longe da conseguida pela JBS: cerca de 40 deputados.

Mesmo considerando a superposição – parlamentares que receberam das duas mega financiadoras da política brasileira –, pode-se dizer que o número de representantes de Odebrecht e JBS é majoritária no senado e não fica muito longe da maioria também na Câmara. Podiam, sem muito esforço, ditar os rumos do país.

E o que as investigações tem mostrado é exatamente isso: Marcelo Odebrecht ditava decretos para ministros de Dilma Rousseff; Joesley Batista definia estratégias com o presidente Michel Temer. Tinham as rédeas do país nas mãos: direcionavam licitações, moldavam Medidas Provisórias, escolhiam obras a serem financiadas dentro e fora do Brasil, elegiam os beneficiados pelos recursos do BNDES etc etc.

Na prática, tinham governos e governantes debaixo do braço. Como poderia ser diferente? Todos com o rabo preso, pelo financiamento formal e, mais ainda, pela grana solta que corria por baixo dos panos.

 

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