PICOS

Casal gay de Picos aposta na fertilização artificial para realizar sonho da maternidade

G1   16/05/2017

Daniely Feitosa e Gabriela Santos estão juntas há 3 anos e desde que se conheceram já falaram do desejo de ter um filho.

Victor Nunes e Stephanie Fidelis/ Arquivo Pessoal

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Daniely e Gabriela decidiram aumentar a família depois de dois anos de relacionamento.

 

Dando continuidade às matérias especiais em homenagem aos Dia das Mães, o G1 traz neste domingo (14) a história da estudante e empresária Daniely Feitosa e da vigilante particular Gabriela Santos, que estão juntas há três anos e decidiram fazer uma inseminação artificial para juntas realizar o sonho da maternidade. As duas moram em Picos, Sul do Piauí, e agora curtem o quarto mês de gestação.

O caminho até realizar o sonho de engravidar, não foi fácil para Daniely. Quando tinha apenas 10 anos, ela descobriu que tinha um problema hormonal e o médico diagnosticou que a menina tinha a síndrome dos ovários policísticos. Mesmo tão novinha, Daniely iniciou um tratamento e o médico chegou a alertar que isso poderia deixa-la infértil.

“Para mim era tudo novo, eu era apenas uma criança e meu médico foi me explicando tudo, mesmo muito nova fui buscar saber sobre o assunto e foi ai que comecei me apaixonar pela a área da saúde e pela a reprodução humana, fiquei encantada como a gravidez ocorre e cada passo dela”, contou.

Ainda aos 15 anos, a jovem começou a pensar e sonhar em ser mãe. Foi quando ela conheceu Gabriela e a paixão aconteceu. “Logo contei a ela o meu desejo de ser mãe. Ela me falou que também tinha o mesmo sonho, mas que preferia adotar e não gerar”, disse.

Daniely conta que apesar do que a companheira queria, ela gostaria de gerar um filho, de passar por todos os momentos que uma grávida passa e trazer ao mundo uma criança que fosse das duas.

“Comecei então a pesquisar sobre como os casais homoafetivos realizavam esse desejo e descobri milhares de casais que fizeram inseminação artificial ou fertilização in vitro. Fui mais a fundo na pesquisa e me informei que existem clínicas no Brasil que fazem o procedimento para casais de baixa renda, no caso a gente teria que se inscrever e ficar na lista de espera”, falou.

O casal fez então inscrições em algumas clínicas de São Paulo, onde teve um contato maior com diversos grupos de WhatsApp e as duas jovens puderam contar com a ajuda de outras mulheres que tinham o mesmo sonho que elas.

“Mandei toda documentação via sedex, até que um dia me colocaram em um grupo e me passaram diversas informações das diversas clínicas que tem em Teresina e que ajudam mulheres que querem ter filhos”, contou.

De acordo com Daniely, logo na primeira consulta o desejo de ser mãe só aumentou. “Estávamos economizando para fazer a Fertilização In Vitro (FIV), mas como o procedimento era mais caro, optamos pela a inseminação artificial”, disse.

Para que o custo diminuísse, a jovem se escreveu como doadora de óvulos. “Óvulos não podem ser comprados, então aproveitei essa oportunidades para realizar o meu sonho e o sonho de outras mães também. Os óvulos são retirados e passados pra receptora de forma anônima”, disse.

A empresária conta que teve a chance de escolher as características do doador de sémen e que logo na primeira tentativa deu tudo certo. “Escolhi todas as caraterísticas de Gabriela, mesma altura, mesmo tipo sanguíneo, mesma cor dos olhos e dos cabelos. Agora estamos à espera do nosso milagrezinho”, falou.

As novas mamães ainda não sabem o sexo do bebê, mas já decidiram o nome. “Fizemos a ultrassom mais não mostrou ainda. Se for menina será Pétala e se for menino será Pierre”, conta a empresária.

Daniely conta que tanto ela quanto Gabriela entendem que ainda existe muito preconceito, mas que acredita juntas elas podem dar o que uma criança mais precisa: amor e uma boa educação.

“Deus é amor, por que ele me crucificaria por amar? Minha religião fala de amor entre almas. Você acha mesmo que escolhemos nos apaixonar pelo o mesmo sexo? Mesmo sabendo as dificuldades e o preconceito? Eu nunca imaginei sentir um amor de verdade como sinto pela Gabriela. O que sinto é um amor de alma, de outras vidas”, contou.

Daniely destaca a importância do companheirismo da esposa. “Ela me acompanhou em tudo, estava presente em cada momento. É uma mãezona mega protetora. Muito inteligente. Me ajuda cada dia mais e mais em tudo, inclusive na gestação que é um período nada fácil, se tivéssemos feito a FIV, era um óvulo dela que eu queria gerar, quem sabe daqui a uns 10 anos?”, finaliza.

 

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