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OPINIÃO

Reflexos do plebiscito no Pará

Zózimo Tavares   13/12/2011

Como a maior parte do eleitorado estadual se concentra numa faixa que pega de Floriano a Oeiras e Picos e desce até Parnaíba/Luís Correia, a decisão sobre a divisão do Piauí estará nas mãos desses eleitores

O resultado do plebiscito no Pará animou os que são contra a divisão do Piauí, mas não desanimou os que defendem a criação do Gurgueia. O plebiscito, realizado domingo passado, resultou na rejeição da divisão do Pará para criação dos Estados do Carajás e Tapajós. O resultado do plebiscito no Pará foi antecipado pelas pesquisas de intenção de voto.

Apesar da derrota, o sentimento separatista nas regiões de Tapajós e Carajás não acabou. Novas propostas divisionistas surgirão. Redutos do separatismo, Marabá e Santarém tiveram votações superiores a 90% favoráveis à divisão do Pará. O recorde foi em Santarém, que seria a possível capital do Tapajós: 98,6% disseram "sim" à criação do novo Estado. O município tem cerca de 200 mil eleitores. Em Marabá, na região do Carajás, a divisão foi aprovada por 93,2% dos eleitores. Existem 100 mil eleitores na cidade. 

O diferencial, porém, foi a votação de Belém, que concentra a maior parte do eleitorado, com praticamente 1 milhão de eleitores: 94,8% foram contra o Carajás e 93,8% votaram contra o Tapajós. Após o resultado, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), declarou que um dos "grandes desafios" agora será tratar dos ressentimentos que surgiram durante a campanha pró e contra o desmembramento.

A campanha pela divisão do Pará estava mais avançada do que a da criação do Gurgueia, tanto do ponto de vista técnico quanto do político. Ela foi cumprida segundo o protocolo: foi apresentado projeto no Congresso, foi marcado o plebiscito, houve campanha contra e a favor e o eleitorado decidiu. A proposta sobre o Gurgueia dorme em alguma gaveta do Congresso Nacional... Por enquanto, é só de boca.

O Piauí tem uma situação parecida e ao mesmo tempo diferente da que se verifica no Pará. É parecida porque os mais interessados na divisão do Estado - os moradores do Gurgueia - são poucos. Eles somam aproximadamente um terço do eleitorado do Piauí.

Como a maior parte do eleitorado estadual se concentra numa faixa que pega de Floriano a Oeiras e Picos e desce até Parnaíba/Luís Correia, a decisão sobre a divisão do Piauí estará nas mãos desses eleitores, se os piauienses vierem a ser convocados a se manifestar em plebiscito sobre a divisão do Estado. E a situação é diferente porque, do lado de cá, tem muito gurgueiano infiltrado.

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